O domingo estava chato e o dia se arrastava.
Meu companheiro precisou ver o filho e eu fiquei em casa arquitetando ideias.
Fazia dias que ensaiva o retorno da minha mesa de arquiteta para o meio da sala.
Minhas costas reclamam sempre que tenho que trabalhar curvada. Sou alta e uma mesa de 75cm de altura é muito baixa prá mim.
Mas o fato é que por conta da mesinha, revirei a casa inteira.
Baixou a Maria e com vassoura, pano, água e música… me dispus à diligência.
Bianca, a gata persa que habita minha casa, rondava em volta.
Por duas ou tres vezes pisei em seu rabo branco que se mimetizava sobre as pedras portuguesas do piso.
A única forma de acalmar Bianca, jazia no freezer.
Um bocado de carne crua descongelaria em minutos.
Descongelou.
Bianca se lambuzou.
Sobre a mesa de trabalho fixa em meu escritório, chapou.
Segui com a arrumação.
Arrastei móveis, limpei, organizei, perfumei e ao final estava morta.
A casa linda e transformada por conta de uma mesa.
Bianca acordou com o aspirador repuxando seus pelos.
Correu e andou pela casa parecendo assustada.
Cheirou peça por peça.
Com o rabo arrastando, se esgueirou por todos os lugares.
Subiu na mesa, coisa que jamais ousou fazer.
Revirou todos os ambiente se sentido acuada.
Aquela não era mais a mesma casa…
Não era mesmo.
Adoro a sensibilidade dos gatos.
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